Restrição calórica

A restrição calórica é a única forma comprovada cientificamente para retrasar o envelhecimento e aumentar a longevidade. Combater o envelhecimento vai depA Dieta da Restrição Calóricaender em grande medida do que comemos, não propriamente de um alimento mágico, mas simplesmente de comer menos. Uma forma ao alcance de todos.

Não devemos confundir restrição calórica com malnutrição, jejum prolongado ou outros estados de privações. Este tipo de práticas provocam carências nutricionais que aceleram o envelhecimento do organismo, acarretando uma multitude de problemas. A restrição calórica, pelo contrário, baseia-se numa dieta baixa em calorias, na qual, as necessidades nutricionais e energéticas do corpo são satisfeitas com a ingestão de todos os nutrientes essenciais à vida, são eles as proteínas, os hidratos de carbono, as gorduras, as vitaminas e minerais. Porém, devem ser ingeridos em quantidades equilibradas e suficientes, para a manutenção da saúde.

Desde o ano 1930 a restrição calórica tem sido alvo de numerosos estudos, a maior parte deles realizados com ratos de laboratório, que quando submetidos a uma dieta restrita em calorias, viveram 40% mais de tempo e com menos doenças associadas ao envelhecimento como a arteriosclerose, a diabetes, a hipertensão, o cancro. Foram também realizados experimentos com macacos, espécie geneticamente parecida ao homem, que quando submetidos a uma dieta de restrição calórica apresentaram menos obesidade, menor pressão sanguínea, menos colesterol, menos glicose no sangue e melhoria da sensibilidade à  insulina, em relação a outros macacos alimentados com muitas calorias.

Efeito da restrição calórica nos humanos

No que respeita aos humanos, apesar de não haver muitas investigações nesse âmbito, o certo é que há evidências reais de que se pode obter os mesmos bons resultados. Um claro exemplo é a população de Okinawa (ilha do Japão), cujo número de centenários é quatro vezes superior à população japonesa. Os habitantes de Okinawa seguem uma dieta ligeiramente diferente à dos seus compatriotas: ingerem uma quantidade mais elevada de carne de porco e menos arroz que os japoneses e consomem três vezes mais vegetais e o dobro de peixe, é portanto uma dieta com menos 20 a 40 % de calorias que a dieta japonesa típica. É mais que evidente que a restrição calórica é razão principal da longevidade da população de Okinawa.

Outra evidência de restrição calórica, ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial quando os noruegueses viram-se submetidos a um alto grau de restrição calórica, devido ao facto, de que uma grande parte dos alimentos do país eram enviados à Alemanha. Calcula-se que o típico consumo calórico noruego desceu quase 40% em comparação com os níveis anteriores à guerra e com o benefício acrescido, de ser o peixe a sua única fonte de proteínas. Durante este período de 4 anos, a mortalidade causada pelos ataques de coração desceu cerca de 50%. Finalizada a guerra, quando a ingestão de calorias voltou a aumentar, o índice de ataques ao coração subiu também igualando os mesmos níveis anteriores guerra.

Recuando ainda mais no tempo, no século XVI um nobre italiano Luigi Cornaro de 50 anos de idade, preocupado com a sua saúde que se deteriorava dia após dia, em razão dos excessos alimentares que cometia, decidiu mudar o seu estilo de vida. Desde então, a sua dieta consistia em pão integral, sopa de carne, ovos e vinho novo. O seu estado de saúde começou a melhor imediatamente e, pode viver mais 48 anos. Antes de morrer aos 98 anos escreveu um dos livros de dietas mais populares titulado “Discursos sobre a vida moderada”.

Outro experimento mais recente foi o chamado “experimento da Biosfera” no qual sete voluntários viveram em total isolamento, dependendo unicamente dos seus próprios recursos, que consistiam nos alimentos que eles próprios cultivavam. A restrição calórica foi quase de 30% inferior à que tinham antes de encerrarem-se na Biosfera. Todos os parámetros de risco cardiovascular, depois de seis meses, foram consideravelmente mais baixos.

A restrição calórica produz bons resultados

A restrição calórica reduz o stress oxidativo causado pelos radicais livres, uma vez que as células não necessitam consumir muito oxigénio. Quanto mais expostas estão as nossas células aos radicais livres mais rapidamente envelhecemos.

É importante saber como se formam os radicais livres. Os radicais livres são substâncias tóxicas que se produzem durante as reações metabólicas que ocorrem dentro das nossas células, especificamente nas mitocôndrias, lugar da célula onde se produz a energia. As células necessitam de oxigénio para transformar os nutrientes absorvidos durante a digestão em energia química. Esta energia, será usada pelas células para realizar todas as funções imprescindíveis ao bom funcionamento do corpo. Porém, durante este processo as células, em presença do oxigénio, libertam umas moléculas chamadas radicais livres. O oxigénio, tão imprescindível à vida, passa a ser, neste caso, prejudicial para as células, contribuindo para a sua oxidação, formando portanto, os radicais livres.

Embora uma pequena quantidade de radicais livres desempenham uma ação protetora, o excesso destas instáveis moléculas atacam as células saudáveis, danificando-as, o resultado é o envelhecimento celular e o aparecimento de um grande número de doenças degenerativas como a hipertensão, a aterosclerose, a diabetes, o cancro, doenças cardiovasculares, Alzheimer etc.

Quanto menos calorias ingerimos, menos energia necessitam as células para converter os alimentos ingeridos em energia química e portanto menos oxigénio será consumido, por conseguinte menos radicais livres serão produzidos, como resultado, viveremos mais tempo e com menos doenças crónicas.

Os antioxidantes

Com o fim de defender-se dos contínuos “ataques” produzidos pelos radicais livres, o nosso corpo possui um sistema de defesa, os antioxidantes, cuja função é neutralizar os radicais livres, mas nem sempre é suficiente, no entanto a restrição calórica, que quase sempre vai aliada a uma dieta alta em vegetais e frutas, fontes naturais de vitaminas e antioxidantes, vai permitir reforçar esse sistema de defesa do corpo na luta contra os radicais livres.

Outro grande benefício da restrição calórica para retrasar o envelhecimento é a redução do excesso de glicose no sangue, evitando a glicação. A glicação dá-se quando o açúcar em excesso que circula pelo sangue, devido ao excesso dos hidratos de carbono ingeridos, adere-se às proteínas, causando os AGEs. Estes produtos são, como adesivos, e tendem a aderir-se às proteínas, modificando irreversivelmente as suas estruturas, como no caso do colagénio, que ao ser afetado pela glicação deixa de sustentar a pele, e desta forma, aparecem as rugas.

A restrição calórica tem um efeito decisivo na luta contra o envelhecimento. Uma dieta, baixa em calorias, mas ao mesmo tempo rica em todos os nutrientes essenciais, vai abastecer o corpo com toda a energia necessária para o bom funcionamento das células. Com a dieta da Zona podemos alcançar todos os benefícios da restrição calórica sem passar fome nem privações.

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