Dieta do paleolítico

Foi na dieta do Paleolítico que a dieta da Zona inspirou-se para criar o tipo de alimentação que mais se assemelha aos nossos genes. A dieta dos nossos antepassados está de acordo com os nossos genes, ou seja, é a dieta para a qual estamos “geneticamente desenhados“. Ao que tudo indica é a dieta ideal para a nossa saúde e bem-estar.

A dieta do Paleolítico é o tipo de alimentação que os caçadores-recolectores praticavam há cerca de 10 000 a 40 000 anos, antes da descoberta da Agricultura. Apesar do tempo decorrido, ainda continuamos com os mesmos genes que os nossos antepassados; 10 000 anos não é muito em termos de evolução genética.

A constituição genética humana atual surgiu durante o período mais antigo e mais longo da pré-história, é o chamado Período Paleolítico, que teve uma duração de quase dois milhões de anos, tendo finalizado há cerca de 10.000 anos quando o Homem (Homo Sapiens) descobriu a Agricultura e a A dieta dos nossos antepassadoscriação de animais.

Contudo os nossos genes são os mesmos que os dos nossos antepassados, ou seja geneticamente somos como há 10.000 anos atrás. Isto significa que não estamos adaptados para a forma como nos alimentamos atualmente. E, como vivemos em discordância com os nossos genes, as consequências surgem em forma de doenças crónicas, nomeadamente as doenças cardiovasculares, o sobrepeso e a obesidade.

Diferenças entre a dieta atual e a dieta do Paleolítico

  • No Paleolítico não comiam cereais e seus derivados; a dieta atual é rica em cereais e açúcares refinados.
  • O homem do Paleolítico não ingeria alimentos industrializados.
  • Não salgavam os alimentos
  • A proteína, era obtida das carnes de caça; a carne dos animais de caça tem pouca gordura saturada comparada com a carne dos animais de criação, além disso a carne de caça continha ácidos gordos ómega-3, inexistente na carne atual.
  • Antes da invenção da Agricultura todas as fontes de hidratos de carbono eram provenientes da fruta, bagas e dos vegetais, o que supõe um alto consumo de fibra, vitaminas minerais e antioxidantes; na dieta moderna os cereais são a principal fonte de carboidratos, este facto, acentuou-se ainda mais com a Industria Alimentar e o aumento dos cereais refinados.
  • A maior parte da gordura consumida na dieta do Paleolítico era mono e poli-insaturada (ómega-3), era portanto baixa em gorduras saturadas e ómega-6, sendo estas muito abundantes na dieta moderna.

A alimentação do Paleolítico era equilibrada rica e variada, a proporção de nutrientes era adequada às necessidades da fisiologia humana, razão pela qual muitos especialistas defendem o retorno a uma alimentação parecida à dieta do Paleolítico, de modo a reduzir o risco das doenças crónicas e manter um bom estado de saúde. Os homens do Paleolítico eram altos, delgados, fortes e saudáveis.

Estima-se que as calorias na dieta do Paleolítico eram: 37% das calorias provinha das proteínas, 41% das calorias dos carboidratos e 22% das  calorias provinha das gorduras. É praticamente a mesma proporção de nutrientes que recomenda a dieta da Zona (40/30/30). Como se pode ver diferem bastante dos valores que recomendam as dietas ocidentais tradicionais, 15% proteína, 55% carboidratos, 35% lipídios.

A escolha dos alimentos da dieta da Zona com respeito à dieta do Paleolítico

A dieta do Paleolítico estava composta por apenas 3 grupos alimentares: carnes, vegetais e frutas. A dieta da Zona, além destes inclui mais dois grupos, lácteos magros e cereais (consumidos com moderação).

  • Hidratos de carbono (40%): provinham das frutas e vegetais, excluíam os cereais. Na dieta da Zona as principais fontes de hidratos de carbono são também as frutas e vegetais devendo os cereais constituir uma pequena fracção.
  • Proteína (30%): provinha dos animais de caça, baixa em gorduras saturadas e ómega-6 mas muito rica em ácidos gordos ómega-3; na Zona as fontes de proteína estão constituídas pelas carnes brancas magras e o peixe, sendo conveniente a suplementação com ómega-3 para manter o equilibrio ómega 3/ómega 6; na Zona inclui-se ainda os lacticínios magros e os ovos.
  • Gordura (30%): na dieta do Paleolítico o consumo de gorduras saturadas era muito baixo; na Zona a ingestão de gordura saturada é também muito baixa, privilegiando a gordura mono-insaturada (azeite virgem, nozes, amêndoas, abacate etc.). As gorduras hidrogenadas (trans), não existiam na dieta do Paleolítico, na Zona são totalmente excluídas. Na alimentação atual ingere-se muito ómega-6, devido ao alto consumo dos óleos e margarinas vegetais, em detrimento dos ómega-3. A dieta dos nossos antepassados apresentava uma relação mais favorável entre os ácidos gordos ómega-6 e ómega-3, aproximadamente de 1:1 do que a verificada atualmente 10:1. Por isso a dieta da Zona recomenda a suplementação com ómega-3.

O antes e depois na alimentação do Homem

O aparecimento da agricultura marca um antes e depois na alimentação do ser humano, até então, os nossos antepassados evoluíram de acordo com os alimentos que se encontravam disponíveis na Natureza. Porém com a descoberta da Agricultura, o homem abandona a vida nómada, sedentariza-se e começa a produzir alimentos. Os cereais passaram a ser a base da sua alimentação, reduzindo-se o consumo de frutas e vegetais, este facto viu-se ainda mais acentuado nos últimos 150 anos com o desenvolvimento da Indústria Alimentar que introduziu uma infinidade de produtos refinados e açúcares, levando ao aumento da ingestão calórica.

Embora a dieta da Zona seja a versão moderna da dieta do Paleolítico, a intenção não é viver como os nossos antepassados, mas adaptar a dieta do Paleolítico à dieta atual, de modo a que continuemos em “harmonia” com os nossos genes, para bem da nossa saúde.

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