A gordura que nos tornou inteligentes

Graças ao desenvolvimento do cérebro, o Homem pode transformar-se na espécie dominante do planeta, onde a sua capacidade de criação, aprendizagem e comunicação, parece não conhecer limites. A gordura, em particular os ácidos gordos ómega 3, teve um papel determinante no desenvolvimento do cérebro humano.

A dieta na evolução humana

Como já sabemos, o Homem é o resultado de um longo processo de evolução, que começou há quatro milhões de anos, quando apareceram os primeiros hominídeos. Entre eles destaca-se o Homo Habilis, cuja aparência era quase humana e, dos quais descendem os seres humanos modernos. Durante este longo período de tempo os nossos antepassados primitivos, foram evolucionando até chegarem à nossa espécie A gordura que nos fez inteligentesatual, o Homo Sapiens.

Estes hominídeos passaram por várias circunstâncias que os obrigaram a alimentar-se do que surgia em cada época e ocasião, adaptando-se desta forma ao meio ambiente. Sendo assim, primeiro tiveram uma alimentação essencialmente vegetariana baseada em folhas, sementes, frutos silvestres, ramos, raízes. Mais tarde quando aprenderam a caminhar sobre os dois pés, desenvolveram a habilidade da caça que lhes permitiu alimentar-se da carne dos animais que caçavam.

Ao longo deste processo evolutivo o desenvolvimento do cérebro dos nossos ancestrais passou por um processo muito lento. É de referir que este órgão está formado essencialmente por gordura, mais de 60 % do peso do cérebro é gordura. E, a gordura, enquanto a alimentação era essencialmente vegetariana, praticamente era inexistente. Só quando começaram a alimentar-se de carnes foi possível o aumento do tamanho do cérebro, mas, sem no entanto, notar-se um aumento significante da capacidade intelectual.

Muitos científicos creem que os humanos modernos começaram a destacar de todas as outras espécies, graças à dieta que adotaram os nossos antecessores imediatos. Como tal, para saber como emergiu a nossa espécie será necessário recuar no tempo, às origens do Homem Moderno, e descobrir o que nos fez uma espécie “especial”.

Um cérebro maior e mais inteligente

Há cerca de 150 000 anos os nossos antepassados primitivos viviam na África Oriental no Rift Valley, eram menos de 10 mil, estavam praticamente em vias de extinção. A vida era dura, pois os alimentos escasseavam na Savana africana, as florestas desapareceram e deram lugar a zonas desérticas e áridas. A necessidade de sobreviver levaram-nos a encontrar o alimento certo para o cérebro.

Este alimento fez com que as suas habilidades cognitivas, que até então tinham avançado muito lentamente ao longo de milhares e milhares de anos, avançassem agora, num curto espaço de tempo, de forma tão rápida, dotando o homem de pensamento e raciocínio, ou seja, o desenvolvimento da inteligência. Assim surgiu a nossa espécie, o Homo sapiens (Homem Sábio) e, é a única que existe na atualidade. As outras espécies parece terem continuado mais algum tempo até que acabaram por se extinguir.

A importância dos ácidos gordos ómega 3 na estimulação da inteligência

Muitos científicos acreditam que o rápido desenvolvimento do cérebro deve-se à gordura. No entanto, não de qualquer tipo de gordura; até porque a dieta dos nossos antecessores incluía gordura dos animais de caça. Mas de uma gordura que havia em abundância nos lagos do Riftt Valley, eram os ácidos gordos ómega 3. Esta gordura, foi o que acelerou o crescimento do cérebro e das suas faculdades mentais de forma tão rápida, jamais até então conseguida por nenhuma outra espécie de hominídeos ao longo destes 4 milhões de história da nossa evolução.

Só quando começaram a comer os moluscos (bivalves e mariscos) que encontraram ao longo dos lagos do Riftt Valley, foi possível ingerir generosas quantidades de ácidos gordos ómega 3. Os moluscos consomem algas e a gordura derivada das algas era rica em ácidos gordos ómega 3 de cadeia longa. O consumo de grandes quantidades desta gordura (em particular do DHA – ácido gordo do grupo ómega 3 mais importante e abundante nas membranas celulares do cérebro), fez com que o córtex pré-frontal (parte do cérebro que controla o pensamento e raciocínio) começasse a expandir-se rapidamente.

Embora este tipo de gordura estivesse já disponível desde que se iniciou a vida no planeta e os nossos antepassados anteriores ao Homo Sapiens tivessem acesso a ela, não era em quantidades suficientes, o que não permitia o desenvolvimento do cérebro a um nível elevado até eclodir na inteligência.

Como era a dieta dos nossos antepassados

A dieta que nos converteu em humanos, era abundante em frutos, bagas e verduras, e quase não tinha cereais, também era rica em proteína magra dos animais de caça, mas o mais importante, incluía quantidades generosas de ácidos gordos ómega-3.

Hoje em dia a crescente oferta de alimentos processados ricos em gorduras saturadas, trans e excesso de ómega 6, foi acompanhada de uma redução drástica no consumo de ómega 3. Há estudos que calculam que a proporção dos ácidos gordos ómega 6 em relação aos ómega 3, na dieta do Paleolítico, era de 1:1. No princípio do século passado, a proporção elevou-se ligeiramente a 2:1. Na atualidade a proporção aumentou de forma abismal para 10:1, chegando a ser na dieta dos americanos de 20:1. Esta foi uma das mudanças mais nocivas nos nossos hábitos alimentares do séc. XX e que continua no séc. XXI.

Agora que já sabe porque a nossa espécie chegou tão longe, acima de qualquer outra, saberá também porquê uma das regras de ouro da dieta da Zona é suplementar a dieta com óleo de peixe puro e concentrado. O óleo de peixe é a fonte mais rica em ácidos gordos ómega 3, a gordura que nos tornou inteligentes, a gordura que nos permitirá avançar com a nossa capacidade mental totalmente intata, em definitiva, a gordura que zela pela nossa saúde e bem estar.

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