Inflamação celular – como saber se já tem?

Uma das grandes preocupações da dieta da Zona é combater a inflamação celular de modo a impedir o desenvolvimento das doenças crónicas e degenerativas, como diabetes, infarto do miocárdio, cancro, doença de Alzheimer, hipertensão e obesidade. Por isso é importante você saber se já tem inflamação celular.

Hoje em dia sabemos que a inflamação é a principal causa das doenças crónicas que levam à morte. A inflamação celular silenciosa aparece muitos anos antes do desenvolvimento propriamente dito dessas doenças. Uma mudança da dieta pode por fim a este problema.

Inflamação celular - como saber se já tem?

Como saber se já tem inflamação celular?

A inflamação celular silenciosa não é fácil de detectar a simples vista. A obesidade pode ser um sinal de inflamação silenciosa, mas nem sempre o excesso de peso é sinónimo de inflamação silenciosa. As pessoas magras também têm inflamação silenciosa.

Há alguns sinais e sintomas gerais que podem dar-nos uma ideia se já temos inflamação silenciosa. O questionário abaixo referido pode dar-nos alguma luz nesse sentido. No entanto, a maneira mais fiável para saber se já temos inflamação celular é através de uma análise de sangue. Não as análises normais de rotina. Mas uma análise especifica, que não é reembolsada pela segurança social, mas que pode ser feita em laboratórios de análises particulares.

É possível que, ao falar com o seu médico, este não esteja a par da “inflamação silenciosa”. No entanto, cada vez mais são os médicos que conhecem e dão a devida importância à inflamação celular e incluso podem mandar pedir esta análise.

Uma maneira fácil e rápida de saber se já tem inflamação silenciosa é responder a um teste. As perguntas e respetivas respostas podem refletir ainda que muito levemente o estado do seu corpo. Este questionário é designado pelo Dr. Barry Sears, informe de inflamação silenciosa.

Questionário para saber se já tem inflamação celular silenciosa

  1. Tem peso a mais?
  2. Tem sempre vontade de comer hidratos de carbono?
  3. Está sempre com fome?
  4. Está cansado, especialmente após realizar muito esforço físico?
  5. Tem unhas frágeis e quebradiças?
  6. Tem o cabelo fino?
  7. Tem prisão de ventre?
  8. Dorme muito?
  9. Custa-lhe muito levantar-se ao acordar?
  10. Tem dificuldade em concentrar-se?
  11. Sente a falta da sensação de bem-estar ou felicidade?
  12. Tem dores de cabeça?
  13. Está sempre cansado?
  14. Tem a pele seca?

Este questionário oferece uma visão um tanto subjetiva, ou seja, não muito real de cada caso pessoal, no entanto pode ajudar a saber se a pessoa já tem inflamação silenciosa. Se responder sim a mais de 3 perguntas, é provável que já tenha inflamação silenciosa.

As causas da inflamação silenciosa

A alimentação atual rica em açucares e desequilibrada em ácidos gordos essências é a principal causa da inflamação celular. Nos últimos 50 anos a alimentação tem vindo a sofrer um aumento continuado do consumo de ácidos gordos ómega-6, e por outro lado, tem-se vindo a verificar uma redução drástica no consumo das gorduras benéficas ómega-3, o que tem sido associado com o aumento das doenças inflamatórias.

A par disto, o consumo de hidratos de carbono refinados, contribui para uma alimentação rica em açúcar, que conjuntamente com o excesso de gorduras ómega 6 desencadearam a atual epidemia de obesidade.

Perfil dos ácidos gordos ómega 6 e ómega 3 no sangue – relação do AA/EPA

A análise de sangue a realizar para saber se já tem inflamação celular mede o perfil dos ácidos gordos ómega 6 e ómega 3, mais propriamente a relação do AA/EPA.

O ácido araquidónico ómega-6 (AA) é o principal representante das hormonas que causam a inflamação, os chamados eicosanoides proinflamatorios (eicosanoides maus). O ácido eicosapentaenóico (EPA) impede a fabricação de eicosanoides maus e potencia a síntese de eicosanoides anti-inflamatórios (eicosanoides bons).

A relação do AA/EPA é o marcador de inflamação silenciosa (SIP) mais fiável e que pode alertar-nos se já estamos num estado de inflamação celular. Quanto maior for o SIP, maior o risco. A proporção ideal situa-se entre 1,5 e 3.

Se a relação do AA/EPA é muito alta, mais de 3 (> 3), os níveis de inflamação são elevados. Se a relação do AA/EPA é muito baixa, menos de 1,5 (<1,5), também não é bom, pois o corpo não é capaz de gerar a resposta inflamatória desejada, como reação de defesa natural do organismo, para combater vírus e bactérias.

É preciso que a relação de AA e EPA se mantenha numa área de equilíbrio e a maneira de alcançá-lo é através da nutrição adequada.

Os ácidos gordos ómega 6 são promotores da inflamação

Como sabemos os ácidos gordos ómega 6 e ómega 3 devem ser obtidos da dieta. O corpo não os pode sintetizar. A dieta atual tem excesso de ómega 6, porque estes encontram-se em muitos alimentos, nos óleos vegetais (girassol, milho, amendoim, soja…) e também nos produtos embalados, como bolos, bolachas, gelados, snacks, fast-food, nos fritos…

Os produtos de origem animal, como a carne têm ómega-6, isto porque os animais são alimentados com farinhas e não em pastos, como antigamente. Os peixes de aquacultura também têm ómega 6, porque são alimentados com farinhas. Tudo isto provocou o desequilibro entre os ómega 6 e ómega 3, o que por sua vez piorou a relação de AA e EPA.

O ser humano evolui com uma relação ótima entre estas duas gorduras, pois sabemos que a dieta dos nossos antepassados tinha uma quantidade balanceada entre ómega 6 e ómega 3.

Mas à medida que subiu os ómega-6 na dieta atual, em paralelo, foi diminuindo os ómega-3. A alimentação atual tem 10 a 20 vezes mais ómega-6 do que ómega-3. Em países como os Estados Unidos chega a ter 50 vezes mais. É por isso que o corpo está num estado de inflamação continuo. Ao cabo dos anos surge os problemas cardíacos, Alzheimer, depressão e cancro.

Ómega-3 – gordura anti-inflamatória

Os eicosanoides são moléculas que controlam os níveis de inflamação no nosso organismo. Tanto os eicosanoides bons como os maus são fabricados a partir dos ácidos gordos ómega 6. Então, porque é que os ómega 3, são tão importantes? Porque os ómega 3 vão impedir que a partir dos ómega 6 sejam fabricados mais eicosanoides maus do que bons. Ou seja os ómega 3 vão impedir a síntese de eicosanoides maus a partir do AA (um ácido gordo ómega 6).

Daí que deva haver uma equilíbrio entre estas gorduras no nosso organismo, para que os diferentes eicosanoides se encontrem também em equilíbrio, a fim de evitar a inflamação celular.

Como tratar a inflamação celular

Para equilibrar estas duas gorduras, é preciso tomar cuidados com a nossa alimentação e diminuir as fontes de ómega 6 e aumentar as fontes de ómega 3. Também é muito importante, não fazer uma alimentação alta em hidratos de carbono, porque estes fazem aumentar a insulina, e a insulina aumentada contribui para a produção de AA (a partir dos ómega 6), e o aumento da gordura no corpo.

Se ingerir mais ácidos gordos ómega 3 e menos ácidos gordos ómega 6 para alcançar este equilíbrio, sem ter o cuidado de controlar a sua ingestão de hidratos de carbono, os resultados não serão os mesmos.

Porque se não há o cuidado de manter também os níveis de insulina no sangue estáveis, a insulina é como uma faca de dois cortes, pois além de armazenar gordura, que contribui para a obesidade, tem outra grande desvantagem, estimula a produção de AA (a partir dos ómega 6) e aumenta os eicosanoides maus, os que produzem a inflamação celular.

A relação entre a quantidade de AA e EPA no nosso organismo deve estar equilibrada e isso depende das gorduras essências que obtemos da nossa alimentação.

É, por isso, que um dos grandes fundamentos da dieta da Zona é aumentar a ingestão das gorduras ómega 3, reduzir as gorduras ómega 6, mas também controlar a ingestão de hidratos de carbono, para manter os níveis de açúcar no sangue sempre estáveis. Estes 3 medidas na alimentação representam o melhor tratamento contra a inflamação celular.

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